A que fragilidades andamos a conduzir os nossos miúdos? Que horror é este da auto-mutilação em massa induzida por uma voz de um tipo ao longe no telefone? E porque é que não se corta o acesso ao «jogo» e se vai à caça destes predadores e pronto? Com os sites de piratagem de filmes e séries americanos a coisa processa-se num instante, de um dia para o outro, e até já vimos miúdos algemados em directo no dia seguinte ao fecho compulsivo dos sites. Então mas os direitos de autor de Hollywood são mais prementes que a desordem interior dos miúdos, que a vida deles?
Não sendo psicóloga custa-me mesmo muito a perceber a facilidade com que os jovens se deixam manipular a estes pontos extremos. Leio uns farrapos aqui e ali (Daniel Sampaio, Expresso Curto de 04.05.17). Quanto à perversidade implícita no mito da absoluta transparência e liberdade intocável da internet já é outra coisa. Se a rede cresceu a ponto de ganhar foros de país real deve ser tratada como tal. Se o Facebook congrega não sei quantos Portugais deve ser tratado como um país, assim como a dark net, o twitter, o snapchat, o instagram e o pinterest quando servem para amarfanhar pessoas, de forma absolutamente impune. O Direito é uma coisa de consensos, que demoram é certo, mas serve para regular o mal e o erro nas sociedades. Se o tempo acelerou para tudo, porque não acelera para legislar e punir estas enormidades? Em suma, estamos à espera de quê? Andar a perseguir meninos e meninas pelas ruas das cidades é uma coisa mas fazer o mesmo escondidos atrás de umas identidades falsas à base de zeros e uns é outra? Não percebo, não percebo. Mas aquela frase frequentemente mal atribuída de que o mal só triunfa quando os bons se encolhem anda a martelar-me a cabeça.