Frank Derbin, o Grande, tinha uma forma muito especial de desarmar o adversário (Naked Gun, Onde Pára a Polícia na subtil tradução lusa). Com uma interjeição linguística e ridícula que arrumava qualquer carão.
– «Surely you don’t whant to imply, Sir?…».
– «Don’t call me Shirley» e vamos mas é ao que interessa.
Mas o que é que falta para se erradicarem os offshores? Que ficam todos nas antigas rotas da droga, et pour cause, que só servem objectivos pouco claros, inconfessáveis e moralmente condenáveis? Não são permitidos ricos e riquíssimos? Com certeza que sim. Posso estar sentada em cima de uma quantidade obscena de dinheiro e ainda assim dormir descansada? Pode ser. Mas ao menos que pague impostos. Ao menos que contribua com os mínimos para o bem comum já que o meu está assegurado vitaliciamente e se esbate até às gerações vindouras. Custa assim tanto, queridos? E porque haverá tanta vergonha, pudor, inércia criminosa, sei lá, em pôr fim a uma coisa que se está mesmo a ver que não interessa ao mundo? Vejam a coisa com os olhos da História. Estilo, se estivesse a ouvir aquele discurso do Goebells provavelmente chegava lá, sem instruções nem um olfacto especialmente apurado. Os offshores são um erro, um cancro do capitalismo, com tudo o que isto traz de lastro (a democracia, a liberdade de expressão, a separação de poderes, os direitos humanos e coisitas destas). Com uma evasão fiscal a esta escala não há orçamentos de Estado, de Estado nenhum, que resistam. Nós os democratas do capitalismo, o tal pior de todos os sistemas excepto todos os outros, não podemos e não devemos pactuar com doenças malignas infligidas e evitáveis. As doenças tratam-se, a bem ou a mal. Quando é a mal normalmente morre-se.